
DÚVIDA: Esta era a imagem que estaria no e-mail enviado por Paula, a mesma que pode ser encontrada na internet
Imagem idêntica à dos supostos gêmeos da brasileira pode ser encontrada na internet. Ex-funcionária da Maersk afirma que a pivô da polêmica na Suíça era conhecida entre os amigos por inventar histórias – entre elas a de um ex-marido morto no acidente da TAM
Segundo a ex-colega, que se identificou a ÉPOCA mas pediu que seu nome não fosse divulgado, o e-mail foi enviado por Paula no dia 16 de janeiro para mais de 30 pessoas da Maersk. ÉPOCA teve acesso a uma cópia dessa mensagem (confira a reprodução ao final do texto). O e-mail, em inglês, dizia o seguinte: “Bom, eu queria ligar para todos vocês, mas, pelas razões a seguir, vocês vão ver que eu devo economizar cada centavo a partir de agora, então não será possível. Enfim, é bem difícil achar uma melhor forma de dar a notícia. Então aí vai, a imagem fala por si própria, vocês não acham? Para os que não têm meu celular (o número foi borrado por ÉPOCA por questões de privacidade), eu acho que não estarei aí esta tarde, então vocês podem me ligar ou escrever mais tarde ou no fim de semana para esclarecimentos posteriores. E, sim, estou tão feliz quanto poderia estar! Beijos, Paula Oliveira”
“Quando ela deu a notícia da gravidez, mandou anexada ao e-mail a imagem de um ultrasom. E nós achamos a mesma foto no Google Images [o buscador de imagens do Google]”, disse a ex-colega. Ela explica que a imagem veio com o nome “Twins 6 wks” (“Gêmeos 6 semanas”) e que, fazendo uma busca com esses mesmos termos no Google, era possível encontrar a mesma imagem, no site about.com.
A colega explica que o que teria motivado a “investigação” no site de buscas era o histórico de Paula, “que tinha deixado uma impressão de que inventava algumas coisas para chamar a atenção”. Segundo ela, o que agravou a desconfiança dos companheiros de trabalho foi outra história contada por Paula – a suposta morte do marido no acidente com o voo 3054 da TAM, que saiu da pista do aeroporto de Congonhas, em São Paulo, matando 187 pessoas em 17 de julho de 2007.
A funcionária da Maersk conta que, quando ficou sabendo do suposto ataque em Dübendorf, por meio da mensagem de um amigo, achou que era uma brincadeira. “Quando surgiu a história da gravidez, algumas pessoas já tinham especulado que era mentira e questionado quando ela perderia a criança”, afirma.
Em um outro episódio, a colega conta que Paula teria feito sessões de quimioterapia por conta de um problema ligado ao lúpus, doença crônica que impossibilita o sistema imunológico de combater vírus e bactérias. “Ela usava um lenço na cabeça para trabalhar, mas eu ouvi de pessoas que frequentavam a casa dela que ela nunca perdeu um fio de cabelo”, afirma. “Mas não sei se isso é um exagero das pessoas ou se ela usava a doença para chamar a atenção”.
Apesar de desconfiar de Paula, sua colega reconhece não é capaz de afirmar que, como sugeriram autoridades suíças, a brasileira teria feito os ferimentos no próprio corpo. “Mas não me surpreenderia, porque ela é muito convincente e acredita nas coisas que diz”, conta. “Mas, neste caso, ela não seria só uma mentirosa compulsiva, e sim algo mais grave. E aí o pai dela teria razão: ela é uma vítima de qualquer jeito, seja do suposto ataque ou de um problema psicológico muito sério”.
fevereiro 18, 2009 às 5:11 pm
Sou repórter do Link e estamos fazendo uma matéria sobre a repercussão online do caso de Paula Oliveira, que supostamente sofreu um atentado na Suíça. Vi que você blogou a respeito e – caso não existam restrições por parte do seu contrato com O Globo – gostaria de uma entrevista. Já encaminho as perguntas, pois meu prazo é apertado (hoje às 22h) e acredito que e-mails sejam a forma mais rápida para nos falarmos. De todo modo, meus contatos telefônicos seguem tb no fim desta mensagem.
Abraços,
ENTREVISTA
1) Que movimento você detectou na blogosfera a partir das primeiras notícias sobre a brasileira radicada na Suíça? E quais as mudanças surgidas depois da suspeita das autoridades suíças de que o caso era forjado?
2) Como a sua própria cobertura/postagem no blog mudou diante das reviravoltas no caso?
3) Como você avalia a cobertura do caso Paulo O. na blogosfera, na imprensa suíça e na brasileira? Acredita que a blogosfera foi menos ou mais virulenta/apressada na crítica/com a divulgação do que a imprensa “oficial” no caso da brasileira supostamente agredida por neonazistas?
4) A princípio o Itamaraty e o próprio Lula cobraram uma posição e punição exemplar aos culpados pelo suposto ataque. Depois, com as suspeitas de que o mesmo teria sido forjado, houve silêncio. Como você acredita que o governo poderia se aproveitar da internet – e do buzz em torno do caso – para minimizar o mal-estar criado com as primeiras declarações no País?
5) A blogosfera é com freqüência criticada por ser um espaço que apenas comenta a mídia, mas carece de apuração independente. Assim, ao contribuir para o declínio da leitura de jornais e o aumento da credibilidade dos blogs e meio eletrônico, estaria acelerando a crise da mídia tradicional e “matando” a sua principal fonte: os próprios jornais e jornalistas de profissão. Gostaria que vc comentasse o paradoxo/relação.