Nós não queremos esmola!

JORGE DAHER

bolsa-familia

Criticar ou apoiar o assistencialismo está em moda, como continua sempre em moda, para uma grande parcela, a opção de ficar em cima do muro ou nem opinar sobre o assunto.

Não ficarei em cima do muro, o assintencialismo é uma droga, que vícia e pode ser fatal!

É ruim para quem recebe, porque na grande maioria são pessoas sem oportunidade e sem condições de se sustentar, recorrem a facilidade de receber doações, cestas básicas, refeições, roupas, etc… o assistencialismo não é uma escolha mas uma necessidade.

Só que depois de se entrar num bolsa-família, ou num sopão da vida, a pessoa começa a se perguntar se vale a pena trabalhar, ou é melhor ter mais um filho(a) e aumentar o benefício. Este é um exemplo muito triste mas muito frequente em todo nosso país.

Contudo o outro lado do assistencialismo é muito pior. Nele temos a maioria dos políticos brasileiros que seja para se elegerem, seja no exercício de seus mandatos baseiam suas ações na exploração dos necessidados, e na caridade prostituída.

Você elegeu seu vereador para ele passar o dia dando cesta básica para alguém em troca de voto? Porque eu não… então saiba que vários vereadores de Ribeirão já disseram com a boca cheia que são assistencialistas e que seus mandatos são “voltados ao social”.

Vereadores (prefeitas, presidentes) são eleitos para trabalhar pela coletividade não para um grupo, neste caso de cesta básica, por exemplo, a OBRIGAÇÃO dele é encaminhar a pessoa a entidades públicas ou particulares que prestem este tipo de assistência, com assistente social profissional, visando a re-inclusão social, e principalmente que a pessoa crie condições de não depender mais da doação.

Estas entidades são legítimas e muito importantes quando desenvolvem seu trabalho de forma séria, inclusive recebendo doações da população para suas obras e atendimentos, e além do mais, entidades não disputam eleições e não tem mandato pago com nossos impostos, elas se mantém com suas próprias atividades e “criatividades”. Não devendo jamais ser mantidas, presididas, ou “encobridas” por políticos – se não dá no mesmo!

Houve um tempo, acredite você, que a caridade e a ajuda ao próximo era um ato nobre, uma verdadeira virtude. Graças a alguns políticos estas práticas se tornaram um meio de sobreviver na política, nele o povo carente é matéria prima indispensável e o assistencialismo é cultivado como um ideal.

Educação: O melhor programa social

educacaoehprogressoNão podemos negar que num país com uma grande população pobre como Brasil é necessário a utilização de medidas assistências imediatistas, como bolsas de auxílio financeiro a famílias em riscos e cestas básicas para alimentar aqueles que passam fome. Contudo estas ações devem constituir medidas emergênciais e não práticas permanentes.

Ações assistencialistas costumam gerar dependência e comodismo nos beneficiados, além de serem utilizadas por políticos como meio de sua própria manutenção e permanência no poder. As medidas assistencialistas devem prever contrapartidas, como comprovação da freqüência escolar e capacitação profissional, de modo a possibilitar que os beneficiados deixem de depender de tais medidas.

Todavia, a forma efetiva e duradoura de combate às desigualdades sociais e a miséria é a geração de empregos. Infelizmente existem muitos governantes que priorizam medidas como doação de cestas básicas, e outros projetos de cunho assistencialista que, a longo prazo, em nada combatem o problema, e ao invés disso acabam agravando, acomodam e viciam as pessoas. O emprego é o melhor programa social que existe, porém novas vagas no mercado de trabalho apenas são geradas com crescimento da economia.

O desemprego é a conseqüência de vários problemas sociais, que tem como origem, principalmente, a falta de crescimento econômico e a falta de mão de obra preparada. Causada pela deficiência das escolas, das faculdades e dos cursos técnicos. Pois, só terão chances de empregos aqueles mais qualificados, sendo que, esta qualificação só se dá com ensino de qualidade e moderno. Educação que prepare para os desafios da vida e para a carreira profissional.

Na sociedade em que vivemos o sistema educacional adquiri um papel social fundamental. As famílias fragmentadas ou sem tempo, com pais e mães trabalhando quase em tempo integral fora de casa, não possui mais condições para formar os cidadãos, moralmente e civicamente, e assim passa a ser também das escolas este papel importantíssimo de formação da personalidade e da cidadania.

A desigualdade social é um grande problema do Brasil, e este é maior o desafio de nossa geração, criar uma sociedade mais igualitária. E isso apenas será possível a partir da criação de empregos. Só o emprego tira uma pessoa da miséria, só o emprego leva uma pessoa à oportunidade e a prosperidade. O trabalho é o único meio justo de ascensão social.

A forma mais fácil de ser construir uma boa carreira é através de uma boa capacitação, e quem capacita é a escola. Se quisermos construir um país de oportunidades devemos investir na educação. E a partir de uma educação de qualidade, geradora de oportunidades, chegaremos à verdadeira justiça social.

Infelizmente há muito tempo à questão da educação vem sendo negligenciada no Brasil, adiam-se reformas e assim parou-se no tempo, necessitamos de uma reestruturação do sistema. A educação – e a formação do povo – que deveria ser à base dos programas de governo dos candidatos, na prática, mal é lembrada. O que devemos ter em mente é que a transformação do Brasil passa, inevitavelmente, pela transformação da educação brasileira. E assim se faz necessário um projeto nacional que seja moderno e eficiente, que valorize o ser humano e forme profissionais competentes e cidadãos responsáveis.