Paula enviou a amigos ultrasom falso, diz colega

José Antonio Lima | ÉPOCA
Esta era a imagem que estaria no e-mail enviado por Paula, a mesma que pode ser encontrada na internet

DÚVIDA: Esta era a imagem que estaria no e-mail enviado por Paula, a mesma que pode ser encontrada na internet

Imagem idêntica à dos supostos gêmeos da brasileira pode ser encontrada na internet. Ex-funcionária da Maersk afirma que a pivô da polêmica na Suíça era conhecida entre os amigos por inventar histórias – entre elas a de um ex-marido morto no acidente da TAM

Paula Oliveira, que afirmou à polícia suíça ter sido agredida na segunda-feira (9) por um trio de neonazistas em Dübendorf, cidade próxima de Zurique, teria comunicado a colegas de trabalho sua suposta gravidez de gêmeos com uma imagem de ultrasom que pode ser encontrada no Google. A informação foi dada a ÉPOCA por uma brasileira que conhece Paula há mais de três anos e que trabalhou com ela na empresa dinamarquesa Maersk.

Segundo a ex-colega, que se identificou a ÉPOCA mas pediu que seu nome não fosse divulgado, o e-mail foi enviado por Paula no dia 16 de janeiro para mais de 30 pessoas da Maersk. ÉPOCA teve acesso a uma cópia dessa mensagem (confira a reprodução ao final do texto). O e-mail, em inglês, dizia o seguinte: “Bom, eu queria ligar para todos vocês, mas, pelas razões a seguir, vocês vão ver que eu devo economizar cada centavo a partir de agora, então não será possível. Enfim, é bem difícil achar uma melhor forma de dar a notícia. Então aí vai, a imagem fala por si própria, vocês não acham? Para os que não têm meu celular (o número foi borrado por ÉPOCA por questões de privacidade), eu acho que não estarei aí esta tarde, então vocês podem me ligar ou escrever mais tarde ou no fim de semana para esclarecimentos posteriores. E, sim, estou tão feliz quanto poderia estar! Beijos, Paula Oliveira”

“Quando ela deu a notícia da gravidez, mandou anexada ao e-mail a imagem de um ultrasom. E nós achamos a mesma foto no Google Images [o buscador de imagens do Google]”, disse a ex-colega. Ela explica que a imagem veio com o nome “Twins 6 wks” (“Gêmeos 6 semanas”) e que, fazendo uma busca com esses mesmos termos no Google, era possível encontrar a mesma imagem, no site about.com.

A colega explica que o que teria motivado a “investigação” no site de buscas era o histórico de Paula, “que tinha deixado uma impressão de que inventava algumas coisas para chamar a atenção”. Segundo ela, o que agravou a desconfiança dos companheiros de trabalho foi outra história contada por Paula – a suposta morte do marido no acidente com o voo 3054 da TAM, que saiu da pista do aeroporto de Congonhas, em São Paulo, matando 187 pessoas em 17 de julho de 2007.

“Em 2007 eu e outras pessoas ficamos sabendo por meio de amigos em comum que Paula havia se casado, mas nem sabíamos que ela estava namorando. Era um francês, chamado François, que ela havia conhecido no Recife. Todos acharam esquisito, mas acreditaram”, disse a ex-colega. “Quando ocorreu o acidente da TAM, recebi alguns e-mails das pessoas lamentando a morte do marido dela, que estaria no avião. Mas na lista de mortos no acidente não tem nenhum François”, explica (ÉPOCA consultou a lista, onde de fato não figura ninguém com esse nome) . “Foi aí que todos passaram a desconfiar do que ela falava”.

A funcionária da Maersk conta que, quando ficou sabendo do suposto ataque em Dübendorf, por meio da mensagem de um amigo, achou que era uma brincadeira. “Quando surgiu a história da gravidez, algumas pessoas já tinham especulado que era mentira e questionado quando ela perderia a criança”, afirma.

Em um outro episódio, a colega conta que Paula teria feito sessões de quimioterapia por conta de um problema ligado ao lúpus, doença crônica que impossibilita o sistema imunológico de combater vírus e bactérias. “Ela usava um lenço na cabeça para trabalhar, mas eu ouvi de pessoas que frequentavam a casa dela que ela nunca perdeu um fio de cabelo”, afirma. “Mas não sei se isso é um exagero das pessoas ou se ela usava a doença para chamar a atenção”.

Apesar de desconfiar de Paula, sua colega reconhece não é capaz de afirmar que, como sugeriram autoridades suíças, a brasileira teria feito os ferimentos no próprio corpo. “Mas não me surpreenderia, porque ela é muito convincente e acredita nas coisas que diz”, conta. “Mas, neste caso, ela não seria só uma mentirosa compulsiva, e sim algo mais grave. E aí o pai dela teria razão: ela é uma vítima de qualquer jeito, seja do suposto ataque ou de um problema psicológico muito sério”.

Divulgação de laudo médico de brasileira na Suíça é irresponsável, diz professor da PUC

da Folha Online

O professor de Direito Constitucional da PUC-SP, Pedro Estevam Serrano, avalia que o Instituto de Medicina Forense da Universidade de Zurique, na Suíça, errou da divulgação do laudo médico sobre o caso da advogada brasileira Paula Oliveira, 26. Ele aconselha ainda que as autoridades brasileiras contratem peritos particulares para examinar a pernambucana e garantir equilíbrio e transparência nas investigações.

Paula afirma ter sido atacada por três skinheads, na última segunda-feira (9), em uma estação de trem nos arredores de Zurique. Devido aos chutes e agressões com estilete contra seu corpo–onde os criminosos teriam desenhado símbolos nazistas–, a brasileira afirma ter sofrido um aborto no banheiro.

A polícia de Zurique informou na última sexta-feira (13) que exames médicos realizados pelo Instituto de Medicina Forense comprovaram que ela não estava grávida no momento da agressão que teria sofrido na estação de trem.

Para o professor de Direito da PUC, o instituto suíço cometeu pelo menos “três graves erros” ao divulgar o parecer à imprensa. “Feriram o sigilo médico, que só pode ser quebrado por razões sociais”, explica o professor.

Há também contradições na conduta das autoridades suíças, conforme Serrano. “Se a própria polícia suíça decretou sigilo no caso, o instituto não poderia tornar públicos os laudos médicos que são parte da investigação. Eles nunca poderiam ter dado entrevistas antes da conclusão da investigação”.

Serrano também critica a precipitação do Instituto na divulgação de dados, antes de um psiquiatra avaliar a brasileira. “Emitiram opinião antes mesmo de terminar as diligências médicas e psiquiátricas. Não poderiam ter tirado conclusões antes que um psiquiatra a atendesse, pois a mulher está em estado de choque”.

Para o professor da PUC, as autoridades brasileiras na Suíça deveriam contratar peritos particulares para examinar Paula e garantir que haja equilíbrio e transparência nas investigações. “É preciso que se faça um laudo imparcial para tirar essa impressão de armação contra uma brasileira na Suíça”, afirma Pedro Serrano.

A advogada brasileira pode ser indiciada criminalmente se for comprovada tentativa de farsa, segundo o comandante-geral da polícia de Zurique, na Suíça, Phillip Hotzenkocherie, em reportagem do “Jornal Nacional”, da TV Globo.

O pai da pernambucana, Paulo Oliveira, afirmou, segundo reportagem da Folha deste domingo, que o estado psicológico da filha é “grave e se tornou mais preocupante”. Oliveira disse que Paula não sabe que a polícia suíça desmentiu sua versão e suspeita que ela mesma provocou os ferimentos em seu corpo.

Um dia após ter afirmado que acredita na versão da filha, Paulo fez ontem a primeira concessão em relação às suspeitas da polícia suíça.

“Em qualquer circunstância, a minha filha é vítima”, disse ele. “Ou é vítima de graves distúrbios psicológicos ou da agressão, que desde o início ela sustenta e [de que] não tenho motivos ainda para duvidar.”

Paulo disse que não tem exames que comprovem a gravidez da filha. “Como eu não morava com ela e nem moro, não sei onde estão os documentos”, disse o advogado. “Tudo o que tenho são as informações que ela transmitiu antes que esta tragédia se iniciasse.”

Após declarações da polícia, brasileiros se dividem sobre passeata na Suíça

da Folha Online

Após a polícia de Zurique informar que a brasileira Paula Oliveira, 26 –supostamente atacada por skinheads na Suíça– não estava grávida e pode ter se automutilado, os grupos de brasileiros que moram no país que organizavam uma passeata na cidade para este final de semana agora se dividem sobre a realização do protesto.

A passeata estava sendo organizada, via internet, em pelo menos três comunidades no site de relacionamentos Orkut –”Brasileiros na Suíça”, “Brasileiros em Zurique” e “Brazil and Switzerland”. A ideia era que a manifestação ocorresse neste domingo (15), percorrendo algumas das principais vias da cidade.

Os brasileiros levariam faixas, cartazes e bandeiras em protesto contra as agressões e contra a xenofobia. Nas comunidades, outros brasileiros também dizem terem sido vítimas de agressões de skinheads no país.

Porém, com as declarações da perícia e da polícia, a realização do evento agora é incerta. Enquanto alguns brasileiros defendem que a passeata seja mantida, outros preferem aguardar que os médicos se pronunciem sobre a gravidez da advogada.

Procurado nesta sexta-feira pela Folha Online, o Hospital Universitário de Zurique confirmou, por telefone, que Paula permanece internada na unidade, mas se recusou a passar informações sobre ela.

Além das informações de que Paula não estaria grávida, outro fator que gerou polêmica nas comunidades –e freou a organização da passeata– é a declaração da polícia suíça de que a brasileira pode ter causado os ferimentos em si mesma.

De acordo com a polícia suíça, entre os indícios que apontam automutilação estão a profundidade dos cortes, que foram superficiais, e o fato de que regiões mais sensíveis do corpo, como os seios, não apresentarem ferimentos. Apesar disso, os policiais dizem que o caso continuará sendo investigado.

A versão da gravidez é sustentada pela família da brasileira, que afirma que Paula estava no terceiro mês de gestação. O economista suíço, Marco Trepp, 39, noivo de Paula,lamentou o caso. “As nossas filhas, que eram parte disso, foram embora, mas é claro que continuo muito apaixonado”, disse.

Brasileira pode ser indiciada se comprovada farsa, diz polícia da Suíça

da Folha Online

O comandante-geral da polícia de Zurique, na Suíça, Phillip Hotzenkocherie, afirmou que a brasileira Paula Oliveira pode ser indiciada criminalmente se for comprovada tentativa de farsa, segundo informações do “Jornal Nacional”, da TV Globo.

Paula afirma ter sido atacada por três skinheads, na última segunda-feira (9), em uma estação de trem nos arredores de Zurique. Devido aos chutes e agressões com estilete –onde os criminosos teriam desenhado símbolos nazistas no corpo–, a brasileira afirma ter sofrido um aborto no banheiro.

A embaixada da Suíça no Brasil, no entanto, enviou na noite de ontem uma nota à imprensa informando que os exames médicos feitos pelo Hospital Universitário de Zurique, onde Paula Oliveira está internada, indicaram que a advogada brasileira, de 26 anos, não estava grávida no momento da suposta agressão.

Ainda segundo o “Jornal Nacional”, o pai da advogada, Paulo Oliveira, disse hoje, em Zurique, que não tem como provar que a filha estava grávida no dia em que ela disse ter sido atacada por neonazistas.

A versão sustentada pela família é a de que a brasileira estava grávida de três meses de duas meninas. Porém, tanto a polícia de Zurique quanto peritos do Instituto de Medicina Forense negam a versão.

Sem entrar em detalhes sobre os exames, a embaixada afirmou apenas que “todas as outras questões em aberto estão sendo averiguadas minuciosamente”.

O órgão também lamentou o “incidente humanamente trágico” e disse que “apresenta à cidadã brasileira e aos seus familiares a sua solidariedade”. Segundo a embaixada, as autoridades suíças “prosseguirão cuidadosamente as investigações”.

Outro lado

Nesta sexta-feira, os familiares afirmaram a tese apresentada pela polícia, de que ela teria praticado autoflagelo, é absurda. “A situação tem de ser vista com cuidado. A família está apreensiva. Acho que é um absurdo o autoflagelo”, afirmou um primo da advogada, o universitário Tales Oliveira.

Ele é filho de Silvio, tio de Paula. Tales afirma que familiares souberam das declarações do perito pela imprensa. Ele disse que a jovem nunca apresentou problemas psiquiátricos ou comportamentos diferentes do habitual. “Era normal”, disse.

Críticas

Os principais jornais da Suíça deste sábado fazem sérias críticas ao governo e à imprensa brasileiros no caso da advogada.

Segundo reportagem da “BBC Brasil”, em um artigo opinativo, o diário conservador “Neue Zürcher Zeitung” cita o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, e o ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, apontando que eles tacharam como “fato, de forma irrestrita, as declarações da brasileira”.

O texto também diz que a imprensa brasileira “passou dos limites, indo especialmente longe no julgamento de supostos incidentes neonazistas e racistas na Suíça”.

O “Neue Zürcher Zeitung” afirma que a imprensa brasileira teria criticado publicações suíças, inclusive o próprio jornal. O artigo comenta ainda que a mídia no Brasil traz regularmente “notícias de fatos totalmente inventados, acusações que já destruíram a vida de outras pessoas”, além de afirmar que “a gravidez inventada, segundo se conta”, seria artifício comum entre as brasileiras “para pressionar maridos e companheiros”.

Não tenho motivos para duvidar de Paula, afirma pai

MALU DELGADO
da Folha de S.Paulo, em Zurique

Algumas horas após a polícia de Zurique afirmar que Paula Oliveira não estava grávida no dia em que alega ter sido vítima de agressão por parte de um grupo neonazista e ainda endossar que há fortes indícios de automutilação, o pai dela, o advogado pernambucano Paulo Oliveira, disse à Folha que não coloca em dúvida a versão da filha.

A gravidez de Paula, afirmou ele, seria algo “secundário” nas investigações. O ponto central, disse, é a “tortura” à qual Paula foi submetida –um ataque que a vítima e a família atribuem à reação violenta e preconceituosa contra a imigração na Suíça.

O pai de Paula reagiu ainda com a máxima do direito: o ônus da prova cabe a quem acusa, e a família, até então, não pensava em apresentar exames médicos para comprovar a suposta gravidez de Paula.

Com a fala lenta devido ao efeito de tranquilizantes, o advogado contou ontem à tarde que as fotos que chocaram o Brasil e a comunidade internacional foram tiradas por Marco Trepp, noivo de Paula, por orientação dele. “As fotos foram colhidas a meu pedido”, afirma. Ele também teve a responsabilidade da divulgação do material à imprensa.

Na noite desta sexta-feira (13), a polícia foi até o hospital comunicar à família que Paula não estava grávida na noite do ataque e que investiga a possibilidade de ela própria ter se ferido.

Folha: O sr. disse que prefere não comentar a informação da polícia, mas eles afirmam de forma contundente que Paula, no momento da agressão, não estava grávida, e disseram que a afirmação é feita com base em exames médicos. Isso muda totalmente o caso. A Paula afirmou ao sr. que estava grávida? O sr. acha que isso muda o rumo das investigações caso essa hipótese da polícia seja confirmada?

Paulo Oliveira: Eu não devo raciocinar sob hipóteses. Eu não tenho motivos para duvidar da minha filha. E penso que esse assunto da gravidez é secundário. O assunto principal é a tortura que a minha filha sofreu. Os agressores não poderiam saber se ela estava grávida ou não. Não se tratou de uma agressão a uma mulher grávida, mas de uma agressão de xenófobos contra trabalhadores estrangeiros. É dessa forma que eu vejo.

Folha: Ainda que o sr. não considere a gravidez o fator crucial da história, o fato de Paula ter dito à polícia que estava grávida –e se de fato ficar confirmado que não estava, ou que teria feito um aborto antes da data da agressão– se configurará como mentira às autoridades da Suíça. Como o sr. reagirá?

Paulo: Não se pode deixar de considerar o fato de que o contato [primeiro atendimento da polícia suíça a Paula após o episódio] foi feito de forma inadequada e com uma pessoa em estado de choque. A própria polícia admitiu ontem [quinta-feira (12)] que o atendimento teria sido inadequado. E hoje [sexta-feira (13)] surge com essa versão, que eu não vi, e por isso não quero comentar.

Folha: Essas fotos do corpo da Paula que foram divulgadas são de uma perícia policial?

Paulo: Essas fotos eu tirei em casa [na casa de Marco e Paula, em Dubendorf]. Essas fotos foram colhidas a meu pedido, porque diante do relato da embaixadora [a cônsul-geral do Brasil na Suíça, Vitória Cleaver] de que não conseguia informações adequadas da polícia e diante do fato de a Paula afirmar que estava sendo constrangida pela polícia a admitir que tinha sido ela própria a causadora disso tudo, eu entendi que o mais apropriado era fazer fotografias para mostrar a extensão dos ferimentos. Ninguém poderia fazer aquilo a si próprio. Cortes continuados, dezenas. Todos sabem que cortes superficiais são mais dolorosos que os profundos, porque é na pele [epiderme] que estão os terminais nervosos.

Folha: Quem tirou as fotos? O sr.?

Paulo: Não. Quem tirou as fotografias foi o Marco [Trepp, noivo de Paula]. Eu que solicitei que eles tirassem, para que a gente pudesse divulgar. Eu os aconselhei e eles concordaram.

Folha: Ela não se sentiu constrangida em mostrar o corpo daquela forma?

Paulo: Eu pedi que ela fizesse, que cobrisse as partes íntimas, mas que expusesse principalmente as letras.

Folha: O sr. diz que a polícia ontem [na quinta-feira (12)] procurou a Paula, dizendo que de fato o tratamento inicial foi inadequado, que ela deveria ter sido atendida por uma equipe feminina.

Paulo: Isso foi ontem, na presença da embaixadora [a cônsul Vitória Cleaver negou à Folha ter presenciado essa conversa] e da minha filha, no hospital. Foram duas senhoras da polícia. Não sei o posto delas.

Folha: E o que elas disseram, que a Paula deveria ter sido atendida por uma equipe feminina?

Paulo: Isso é o que me foi dito pela embaixadora, que assistiu ao relato das duas policiais. Eu não estava. Estavam a Paula, a embaixadora e essas duas senhoras da polícia, no hospital.

Folha: Foi longo esse encontro?

Paulo: Foi bastante demorado. No início, até a própria embaixadora tinha dificuldade de ter informação com a polícia.

Folha: A Paula tem conversado pouco, segundo o sr. disse. O sr. não conversou com sua filha sobre detalhes do ataque, o aborto?

Paulo: Ela não tem conversado nada, ela só faz chorar. Tem incomodado ela quando eu atendo o telefone e falo com um jornalista sobre o episódio; ela cai em choro convulsivo. Eu tenho sido repreendido por médicos e por pessoas que estão dando assistência a ela para que eu não atenda a imprensa com ela [a Paula] presente.

Folha: Mas em nenhum momento ela lhe disse “pai, aconteceu isso, aquilo”. O que ela exatamente lhe contou?

Paulo: Tudo que ela me contou foi no telefonema, quando eu ainda estava no Brasil.

Folha: E como foi esse contato?

Paulo: Ela me telefonou nas primeiras horas da manhã da segunda-feira, umas 5h. Eu despertei com a chamada dela, me dizendo: “Pai, eu não tenho boas notícias”. Ela estava chorando, e me contou que havia sofrido uma agressão, que havia perdido os bebês e que estava com o corpo todo retalhado por canivete suíço. Me disse que tinham sido três homens, e dois a seguraram. Que um deles tinha uma suástica tatuada na cabeça, e que a polícia a estava constrangendo a dizer que ela tinha se automutilado. Desde o primeiro momento esse foi o comportamento da polícia, de tratar com desumanidade a vítima.

Folha: A cônsul-geral em Zurique disse à Folha ontem que o comportamento da polícia havia melhorado bastante, o nível das conversas se elevado. Como o sr. interpreta essa divulgação da polícia hoje?

Paulo: Pois é. Eu insisto em dizer que não vou comentar, porque ainda não vi. Mas com as informações que chegam a mim, me deixa chocado esse comportamento dúbio [da polícia]. Um dia pede desculpas, e no outro dia lança outra vez a culpa sobre a vítima, para desacreditar a vítima.

Folha: O sr. acha que o fato de a polícia insistir que ela não estava grávida minimizaria a suposta agressão?

Paulo: Eu já estudei comunicação e sou advogado há mais de 20 anos. Essa é uma estratégia das mais utilizadas no mundo inteiro: quando se está numa situação embaraçada, procura-se desviar o foco. No Brasil é a mesma coisa, há uma anedota dizendo que, em determinadas situações, se põe a culpa no sofá.

Folha: O sr. acredita que é esse caso que está ocorrendo agora?

Paulo: O que me ocorre é que, diante da repercussão internacional que o caso provocou, essa versão é precipitada, precoce, e, na verdade, é um retorno àquilo que os policiais tentaram fazer num primeiro momento: fazer com que a vítima se transformasse em réu.

Folha: Esse caso pode criar uma séria situação diplomática, sobretudo porque o governo brasileiro se expôs muito no caso. O presidente Lula condenou enfaticamente preconceitos, o ministro Celso Amorim não descartou ser caso de xenofobia. O governo brasileiro fez presunções baseadas no relato da Paula. Caso se confirme que ele não é verdadeiro, cria-se um cenário muito delicado.

Paulo: Eu diria que a questão da gravidez era mais importante para o governo suíço porque seriam dois novos cidadãos suíços prestes a nascer. Então, para eles, a versão de que não há gravidez é mais conveniente que para nós. Eu não tenho motivos para duvidar da minha filha.

Folha: O sr. então não trabalha com essas hipóteses [automutilação e inexistência de gravidez]?

Paulo: Eu não tenho por que fazê-lo. Só uma pessoa poderia por em dúvida a gravidez da minha filha: o companheiro dela.

Folha: Ou ela própria.

Paulo: É, ou ela.

Folha: Não existe nenhum laudo ginecológico no hospital, sobre o atendimento? Se ela fez uma curetagem pós-aborto, isso teria sido comprovado num exame. A família e a Paula não podem mostrar esse laudo para comprovar o que ela está dizendo, que estava grávida? Não existe nenhuma cópia de exames? A família pode formalmente solicitá-los ao Hospital Universitário de Zurique?

Paulo: Eu não tenho como mostrar isso primeiro porque eu não estava aqui. Ela pode sim solicitar isso ao hospital. Mas o momento não deve ser esse. O momento deve ser quando ela sair desta fase de choque. Ela não tem que estar produzindo provas. Ela não tem que provar nada. A vítima não tem que provar nada. O principal no momento é dar assistência a ela, e não satisfazer às conjecturas da polícia.

Folha: Mas não é interesse da família apresentar provas sólidas?

Paulo: O momento não é esse. É de prestar todo apoio e assistência à vítima.

Folha: Como membro da família então o sr. não pretende refutar a versão da polícia?

Paulo: Enquanto a minha filha não estiver restabelecida, não. A minha prioridade é cuidar da minha filha. Em nenhum lugar civilizado as vítimas têm que provar que estão dizendo a verdade ou que são inocentes. Isso não é uma atitude correta, não é uma atitude humanitária.

Folha: Além da questão psicológica, a Paula tem algum comprometimento físico? Ela está com algum problema médico grave, que poderia ser consequência de um aborto ou de uma agressão física?

Paulo: Ela voltou a ser internada por problemas urinários. Eu perguntei isso aos médicos, e ela também disse que não estava conseguindo urinar. No dia anterior [ à primeira liberação], ela foi chamada ao hospital para tomar um coquetel anti-virótico, que seria uma medida profilática, contra doenças transmissíveis, hepatite, AIDS, não sei se também de sífilis.

Folha: Ela fez em algum momento relato de agressão sexual?

Paulo: Não, não. Não há nenhuma queixa de estupro. Em nenhum momento ela mencionou isso. Eles tiraram a roupa dela, cortaram o peito, a púbis, coxas, virilha, tudo. Tem marcas no rosto também, no pescoço, na bochecha. São ferimentos superficiais. São ferimentos próprios de tortura.

Folha: Ela estava sozinha numa estação de trem quando foi atacada? Ela não gritou? Eles a teriam levado para um local próximo?

Paulo: Não sei [se gritou]. Ela diz que [o ataque] foi no próprio lugar. Nunca vi o lugar [ a estação]. E nem quero ir lá. Não penso que seja um lugar aonde eu deva ir. Depois do ataque ela se refugiou no banheiro. Ela ligou, então, para o companheiro dela, o Marco. Ela disse que ele foi a primeira pessoa para quem ela ligou. A informação que eu tenho é que o Marco então acionou a polícia e a ambulância, depois que ela ligou para ele dizendo que estava ferida dentro do banheiro de uma estação de trem. De lá então é que foi atendida e levada para o hospital. E neste hospital aqui ela ficou um longo tempo sendo permanentemente constrangida pela polícia.

Folha: A Paula atribui o ataque à xenofobia?

Paulo: Ela e todos os amigos. Havia aqui em Zurique, segundo relato de todos, campanha publicitária desse partido apresentando os trabalhadores estrangeiros como um corvo, ou um abutre, devorando um pedaço de carne. Uma campanha desse partido [letras SVP, no corpo de Paula, são a sigla do partido].

Embaixada da Suíça no Brasil confirma que brasileira não estava grávida

Folha Online

A embaixada da Suíça no Brasil enviou na noite desta sexta-feira uma nota à imprensa informando que os exames médicos feitos pelo Hospital Universitário de Zurique, onde Paula Oliveira está internada, indicaram que a advogada brasileira, de 26 anos, não estava grávida no momento da suposta agressão.

Paula afirma ter sido atacada por três skinheads, na última segunda-feira (9), em uma estação de trem nos arredores de Zurique. Devido aos chutes e agressões com estilete –onde os criminosos teriam desenhado símbolos nazistas no corpo– a brasileira afirma ter sofrido um aborto no banheiro.

A versão sustentada pela família é a de que a brasileira estava grávida de três meses de duas meninas. Porém, tanto a polícia de Zurique quanto peritos do Instituto de Medicina Forense negam a versão.

Sem entrar em detalhes sobre os exames, a embaixada afirmou apenas que “todas as outras questões em aberto estão sendo averiguadas minuciosamente”.

O órgão também lamentou o “incidente humanamente trágico” e disse que “apresenta à cidadã brasileira e aos seus familiares a sua solidariedade”. Segundo a embaixada, as autoridades suíças “prosseguirão cuidadosamente as investigações”.

Segundo a polícia, as investigações serão concluídas nos próximos dias. “Por este motivo, a polícia pede compreensão para que não sejam fornecidas outras informações”, afirma a polícia, que fornece o telefone 0 444 117 117 para denúncias anônimas.

Outro lado

Nesta sexta-feira, os familiares afirmaram a tese apresentada pela polícia é absurda. “A situação tem de ser vista com cuidado. A família está apreensiva. Acho que é um absurdo o autoflagelo”, afirmou um primo da advogada, o universitário Tales Oliveira. Ele é filho de Silvio, tio de Paula.

Segundo diz, a família não entrou em contato hoje com o advogado Paulo Oliveira, pai da jovem, que está na Suíça com a mãe de Paula. O pai da brasileira é separado da mãe da jovem e mantém união com uma outra mulher.

Tales afirma que familiares souberam das declarações do perito pela imprensa. Ele disse que a jovem nunca apresentou problemas psiquiátricos ou comportamentos diferentes do habitual. “Era normal”, disse.

Partido

O porta-voz do partido SVP (Partido do Povo Suíço), Alain Hauert, disse que a versão apresentada pela advogada brasileira, de que teria sido espancada por skinheads do partido –em uma estação de trem em Zurique– é falsa.

“Como a polícia anunciou, Oliveira não estava grávida e ainda há muitas dúvidas sobre a sua vida na Suíça. Por último, parte da versão apresentada é falsa. Neste momento, a polícia irá continuar as investigações para descobrir o crime exato que foi cometido”, afirmou Hauert, em uma entrevista enviada à Folha Online, por e-mail.

Hauert afirmou ainda que o partido não está envolvido nas investigações e que o poder da mídia pode ter influenciado a investigação do caso. Segundo o porta-voz, “a imprensa pode ter influenciado a opinião internacional baseada em acusações falsas, o que é uma tendência muito ruim”.

Brasileira não estava grávida e pode ter feito cortes em si mesma, diz perito suíço

Marcio Damasceno | BBC

O diretor do Instituto de Medicina Forense da Universidade de Zurique, Walter Bär, afirmou nesta sexta-feira que, a partir de exames de legistas e ginecologistas, sua conclusão é de que a brasileira Paula Oliveira não estava grávida e poderia ela mesma ter feito os ferimentos em seu corpo.

“Constatamos que os corte encontrados no corpo dela foram realizados em locais que podem ser alcançados por ela mesma”, afirmou Bär.

“Além disso, as partes mais sensíveis do corpo feminino, como genitais e seios, não foram atingidos pelos ferimentos”, acrescentou.

“Quero ressaltar que o Instituto de Medicina Forente da Universidade de Zurique é uma entidade independente, sem ligação com a polícia nem com as autoridades de Justiça”, observou Bär.

Em entrevista coletiva na sede da polícia de Zurique, Bär afirmou que resultados laboratoriais de exames realizados na brasileira pelos ginecologistas do Hospital da Universidade de Zurique apontaram que Paula Oliveira não apresentava gravidez no momento do suposto ataque.

De acordo com a polícia suíça, as investigações sobre o caso ainda não foram concluídas e seguem em andamento em todas as direções.

Imprensa suíça levanta dúvidas sobre caso da brasileira

Marcio Damasceno | BBC

090212200437_paulaoliveiradentro170A imprensa suíça levanta dúvidas, nas edições desta sexta-feira, sobre o caso da brasileira Paula Oliveira, que afirma ter sido atacada por três neonazistas na Suíça.

Uma das publicações suíças indica, ainda, que a própria polícia de Zurique é cética sobre a versão da advogada. A maior parte das reportagens trata o assunto com cautela.

Paula foi atendida pela polícia na segunda-feira com ferimentos com objetos cortantes na pele, formando a sigla do partido de ultra-direita SVP. O ataque teria ainda provocado um aborto dos bebês gêmeos que ela esperava.

O Neue Zürcher Zeitung, um dos diários de maior prestígio na Suíça, denomina o caso como o de “uma jovem brasileira encontrada com cortes no corpo” em uma estação de trem de Zurique.

Como a maioria dos veículos suíços, o jornal cita a imprensa no Brasil, afirmando que o incidente tomou uma dimensão política no país, onde “está sendo considerado um ataque racista”.

Interrogações

Interrogações marcam o tom das reportagens publicadas nesta sexta-feira na Suíça. “Como poderiam três homens atacar uma mulher por volta das 19h30, sem chamar a atenção, em uma estação de trem bem frequentada?” é uma das perguntas lançadas pela edição desta sexta-feira do diário Tages-Anzeiger, de Zurique.

O jornal questiona ainda por que somente na quinta-feira a polícia convocou testemunhas, como era possível que fossem gravadas letras tão legíveis no corpo de alguém que tentava se defender, e por que nenhum neonazista teria sido percebido no bairro até então.

O diário NEWS afirma ter sabido de “fontes internas bem informadas” que a polícia duvida da gravidez e das informações de que a mulher foi atacada por neonazistas.

A polícia de Zürique não quis dar, quando questionada, informação alguma sobre o estado das investigações devido a proteção privada das pessoas e por respeito ao andamento das investigações.

Já o Solothurner Zeitung intitula sua reportagem com a frase: “Teriam neonazistas torturado brasileira”?

O St Galler Tagblatt segue linha similar estampando sua manchete com a interrogação: “Brasileira grávida torturada por neonazistas?”.

Relatos de parentes

O jornal Le Temps, de língua francesa, destaca que as informações que se conhecesse sobre o caso foram as publicadas pela mídia brasileira, a partir de relatos de parentes da vítima, já que a polícia local não divulgou detalhes.

Segundo o jornal, a polícia de Zurique “conclui que as circunstâncias exatas do incidente não são claras”. “E ela não pode dar nenhuma informação sobre o estado de saúde da mulher ou do andamento do inquérito por ‘razões táticas’”, afirma o texto.

O diário La Tribune de Genève, por sua vez, em um texto intitulado “Uma brasileira grávida foi mutilada por neonazistas”, descreve como “horror” a reação às fotos de Paula com marcas pelo corpo.

O jornal observa, porém, que “a polícia não confirma o depoimento da jovem”. “[A polícia] ainda tem que entrevistá-la sobre os fatos e buscar testemunhas para a tragédia”, diz o texto.

Caso de agressão na Suíça é ‘grave’ e ‘chocante’, diz Amorim

Fabrícia Peixoto | BBC

090212200437_paulaoliveiradentro170O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, o suposto ataque de neonazistas contra a advogada brasileira Paula Oliveira na cidade suíça de Zurique foi “grave” e “chocante”, mas que é preciso aguardar o trabalho da polícia.

“Temos confiança de que a polícia suíça manterá a transparência e o rigor na investigação”, disse o chanceler, em seus primeiros comentários em público sobre o caso.

Segundo Amorim, o caso tem “aparência xenofóbica” e, se isso for confirmado, ele “se torna ainda mais sério”. Entretanto, mesmo que não tenha tido essa motivação, a agressão “por si só já é grave”, afirmou.

O ministro não quis comentar quais medidas o governo brasileiro pretende tomar caso sejam confirmadas as suspeitas de motivação xenofóbica.

“Não vou falar sobre aspectos hipotéticos”, disse.

Preocupação

Na manhã desta quinta-feira Amorim telefonou para a cônsul-geral do Brasil em Zurique, Vitória Cleaver, que estava no hospital acompanhando pessoalmente o caso de Paula.

“Transmiti a ela a preocupação do governo brasileiro”, disse o ministro.

Ainda pela manhã, Amorim convidou o embaixador da Suíça para uma conversa, no Itamaraty. O embaixador, no entanto, não estava na cidade e enviou o encarregado de negócios da embaixada, Claude Crottaz.

De acordo com a assessoria de imprensa do Itamaraty, durante a conversa o ministro Amorim reafirmou a preocupação do governo brasileiro, não apenas em relação à apuração dos fatos, mas também em relação à punição pelo crime.

Polícia

A polícia de Zurique afirmou nesta quinta-feira em um comunicado que Paula, que estava grávida de dois bebês, disse a investigadores que sofreu um aborto logo depois do ataque, na segunda-feira.

“A mulher diz que foi atacada por três homens, que a atacaram com chutes e a feriram com um estilete”, diz a nota. “Além disso, ela disse que estava grávida e que, após o ocorrido, teve um aborto dentro do banheiro próximo da estação.”

“A mulher foi levada para o hospital para realizar mais exames e foi realizada uma ampla busca no local do crime”, acrescenta o comunicado. “Não é possível dar mais informações sobre os exames médicos.”

A polícia também confirmou que Paula foi encontrada com “ferimentos superficiais de objetos cortantes” na pele e que, neles, “podiam ser reconhecidas em diversas partes do corpo letras isoladas”.

Fotos da brasileira divulgadas pela imprensa no Brasil mostram que, nas pernas de Paula, é possível ler a sigla “SVP” escrita com cortes. A sigla é a mesma de um partido político suíço de extrema-direita.

O comunicado diz que a “circunstância que levou a esses ferimentos não está clara” e que a polícia “investiga e procura testemunhas”.

Telefonema

A polícia afirma no comunicado que recebeu uma ligação às 19h30 de segunda-feira de um homem que pedia ajuda para a brasileira, que estava na estação de trem Stettbach.

“As circunstâncias exatas do incidentes não estão claras. A polícia investiga em todas as direções. Pedimos a pessoas que estavam no local pouco depois das 19h30 e que tenham observado algo suspeito que entrem em contato com a polícia.”

O Ministério das Relações Exteriores confirmou na noite da quarta-feira que recebeu um relato de Paula sobre o episódio em Zurique.

No momento da agressão, segundo o Itamaraty, ela estaria falando ao telefone celular em português com a mãe, o que reforçaria a hipótese de que o crime teria sido cometido por um grupo xenófobo.

*Colaborou Marcio Damasceno, de Berlim para a BBC Brasil

Brasileira diz à polícia suíça que sofreu aborto em banheiro de estação após agressão

Marcio Damasceno | BBC

A polícia de Zurique afirmou nesta quinta-feira em um comunicado que a advogada brasileira Paula Oliveira, que teria sido agredida por neonazistas na cidade, disse a investigadores que sofreu um aborto logo depois do ataque, na segunda-feira.

“A mulher diz que foi atacada por três homens, que a atacaram com chutes e a feriram com um estilete”, diz a nota. “Além disso, ela disse que estava grávida e que, após o ocorrido, teve um aborto dentro do banheiro próximo da estação.”

“A mulher foi levada para o hospital para realizar mais exames e foi realizada uma ampla busca no local do crime”, acrescenta o comunicado. “Não é possível dar mais informações sobre os exames médicos.”

A polícia também confirmou que Paula foi encontrada com “ferimentos sperficiais de objetos cortantes” na pele e que, neles, “podiam ser reconhecidas em diversas partes do corpo letras isoladas”.

Fotos da brasileira divulgadas pela imprensa no Brasil mostram que, nas pernas de Paula, é possível ler a sigla “SVP” escrita com cortes. A sigla é a mesma de um partido político suíço de plataforma nacionalista.

O comunicado diz que a “circunstância que levou a esses ferimentos não está clara” e que a polícia “investiga e procura testemunhas”.

Cortes

A polícia afirma no comunicado que recebeu uma ligação às 19h30 de segunda-feira de um homem que pedia ajuda para a brasileira, que estava na estação de trem Stettbach.

“As circuntâncias exatas do incidentes não estão claras. A polícia investiga em todas as direções. Pedimos a pessoas que estavam no local pouco depois das 19h30 e que tenham observado algo suspeito que entrem em contato com a polícia.”

O Ministério das Relações Exteriores confirmou na noite da quarta-feira que recebeu um relato de Paula sobre o episódio em Zurique.

No momento da agressão, segundo o Itamaraty, ela estaria falando ao telefone celular em português com a mãe, o que reforçaria a hipótese de que o crime teria sido cometido por um grupo xenófobo.

O Itamaraty informou ainda que Paula recebeu a visita de um funcionário do consulado brasileiro em Zurique.

A cônsul-geral do Brasil na cidade, Vitória Clever, está em contato com as autoridades suíças para acompanhar as investigações sobre o caso.

O pai da brasileira já desembarcou em Zurique para acompanhar a recuperação da filha.